Nova lei dispara mercado de airbags

De equipamento opcional e importado a item obrigatório – por força de lei – para todos os carros, a produção local de airbags atraiu investimentos próximos a R$ 100 milhões e se tornou elemento estratégico nos projetos de montadoras no país.

Desde que a chamada “lei do airbag” se tornou conhecida há pouco mais de três anos, os fabricantes desse equipamento se preparam para suprir a uma demanda que deverá quadruplicar nos próximos dois anos.

Como se sabe desde abril de 2009, com a publicação do cronograma para a implantação da lei, todos os carros terão de sair de fábrica com airbag duplo a partir de 2014, para proteção do motorista e do passageiro do assento dianteiro. Já em 2013, a regra vale para todos os novos modelos de automóveis e 60% da produção total.

Como hoje a exigência abrange apenas 30% dos carros vendidos no país, a implantação das novas regras de segurança significa sair de uma demanda de dois milhões para algo próximo a oito milhões de airbags daqui a dois anos – ou dez milhões de unidades, colocando na conta o consumo na Argentina, onde o produto também será obrigatório.

Três empresas já se posicionaram no Brasil para capturar esta demanda: a japonesa Takata – líder de mercado com cerca de metade das vendas -, a americana TRW e a sueca Autoliv.

Outras também poderão chegar na esteira de investimentos na produção de carros. A Chery, por exemplo – que ergue uma fábrica em Jacareí, no interior paulista -, colocou o equipamento entre as prioridades de nacionalização e vem negociando com os fornecedores locais. Não está descartado, contudo, trazer para o entorno da fábrica paulista alguma das empresas que atendem ao grupo no mercado asiático.

Com os projetos de expansão em fase final de conclusão, o Brasil já tem capacidade para suprir – a partir da montagem local – a demanda prevista para os próximos anos. Os principais componentes de um módulo de airbag, contudo, ainda são importados.

Os geradores de gás que inflam a bolsa – os “inflators”, responsáveis por metade do custo desse produto – vêm da Europa e dos Estados Unidos. O tecido usado para confeccionar as bolsas também é comprado de europeus e americanos, além de fornecedores no México e na Ásia.

A Takata – que produz conjuntos de airbags em Jundiaí (SP) – chegou a avaliar a produção local dos infladores, mas Rodrigo Ronzella, gerente da empresa, diz que o estudo financeiro indicou inviabilidade econômica – não daria retorno mesmo com os volumes esperados para os próximos anos.

De olho na evolução do consumo, a empresa investiu US$ 25 milhões na ampliação da unidade de Jundiaí, cuja conclusão está prevista para o fim do ano. Outros US$ 12 milhões foram para a construção de uma fábrica em San José, no Uruguai – de onde saem as bolsas que abastecem os conjuntos montados no interior paulista.

Ronzella diz que a empresa terá capacidade de montar, anualmente, 7 milhões de conjuntos de airbags no Brasil. “Devemos produzir 1,6 milhão de módulos neste ano e dobrar este volume em 2013.”

Agora, a Takata está perto de aprovar um investimento de US$ 10 milhões na instalação de uma fábrica dedicada a atender o complexo industrial a ser erguido pela Fiat em Goiana (PE).

Eduardo Laguna – De São Paulo


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