Pedro Arthur passa por cirurgia que vai livrá-lo de respiradores artificiais cirurgia, realizada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, há uma semana, foi custeada pelo governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), a partir de uma decisão judicial,

20120115075153963326uSímbolo da luta contra a meningite no Brasil e dono de uma força comovente, Pedro Arthur Diniz, de 8 anos, se recupera bem da cirurgia que fez dele a primeira criança da América Latina a receber um marcapasso diafragmático. O equipamento vai possibilitar que o menino respire sem ajuda de aparelhos, dos quais dependia desde 2004, quando contraiu uma meningite bacteriana pneumocócica. A cirurgia, realizada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, há uma semana, foi custeada pelo governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), a partir de uma decisão judicial. A previsão é de que antes do fim do mês o marcapasso seja ativado e que Pedro tenha alta na primeira quinzena de fevereiro.

O caso do garoto é considerado raro pelo fato de a bactéria causadora da meningite ter danificado a medula espinhal sem afetar o cérebro. Como sequela, ele sofreu paralisia dos membros (tetraplegia) e do diafragma, mas as funções cognitivas não foram prejudicadas. O menino, então, passou a respirar por traqueostomia – em que um tubo é atravessado em sua traqueia e conectado a um equipamento respirador –, que foi removida com a cirurgia.

O cirurgião Rodrigo Sardenberg, que faz parte da equipe que conduziu a operação – a única habilitada no país para esse tipo de procedimento –, explica que no caso do Pedro Arthur a meningite bacteriana acometeu a medula, onde se localiza o centro respiratório, em que nasce o estímulo para a respiração. Com isso, ele não tem o “disparo” para respirar, apesar de ter pulmões e diafragma normais, ainda que este último esteja atrofiado.

Segundo Sardenberg, foi implantado um dispositivo em cada lado do tórax a fim de estimular o funcionamento do diafragma, que é o principal músculo da respiração. “O condicionamento será progressivo, porque Pedro Arthur está nessas condições há sete anos. Neste começo, vamos ligar o marcapasso por 15 minutos, todos os dias. Depois passaremos para 30 minutos e assim por diante. Esperamos que ele possa, entre quatro e seis meses, estar fora do ventilador 24 horas por dia.”

De acordo com o médico, a cirurgia é indicada, desde que se atendam os critérios de seleção, para pacientes tetraplégicos, com algumas doenças neurológicas ou portadores da doença de Ondine, uma enfermidade congênita que afeta, em sua maioria, crianças (estima-se 2 mil no Brasil) que têm funcionamento normal do organismo, mas não o estímulo para respirar. “Trata-se de uma cirurgia de baixo risco, em que a parte mais delicada é a manipulação do nervo. A duração é de quatro a seis horas.”

No período pós-operatório, uma equipe multidisciplinar acompanha a recuperação de Pedro Arthur, que inclui cicatrização do aparelho interno e deve durar um mês. Entre os benefícios da implantação do marcapasso diafragmático estão a grande diminuição dos riscos de infecções causadas pela traqueostomia e melhora na fala, na deglutição e na reintegração social, já que o respirador externo é conectado à energia em período integral, o que dificulta a mobilidade.

O custo da cirurgia é R$ 500 mil e ela ainda não é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A família de Pedro Arthur recorreu ao governo de Minas para realizar a operação, mas o pedido foi negado pela SES-MG, o que levou o advogado dos pais do menino a mover uma ação contra o órgão. Em outubro, a ação foi deferida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e, com a decisão, o governo firmou um acordo com a família, em novembro.

Doença

A meningite é considerada uma doença endêmica e, portanto, casos da doença são esperados ao longo de todo o ano, principalmente no inverno, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. É causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, vírus, parasitas e fungos. As meningites bacterianas e virais são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública, pela sua capacidade de ocasionar surtos. Entre as meningites bacterianas, a doença meningocócica, causada pela Neisseria meningitidis, é apontada como a principal causa, representando 40% dos casos, e tem maior frequência entre as crianças menores de 5 anos.

Segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, até agosto de 2011, foram confirmados 8.676 casos de meningite no país. Do total, 37% foram registrados como bacteriana, 41% como meningite viral, 17% meningite não especificada e 3% meningite por outra etiologia. Entre os casos de meningite bacteriana, 35% foram confirmados como sendo doença meningocócica, 43% como meningites por outras bactérias e 15% como meningite pneumocócica.

Em 2010, duas vacinas foram incluídas no calendário de vacinação da criança na rede pública de saúde: a pneumocócica 10-valente e a conjugada meningocócica C. A primeira protege contra doenças invasivas, entre elas a meningite, causadas pelo S. pneumoniae; já a segunda protege contra a doença meningocócica sorogrupo C.

Vida nova

Rodrigo Diniz, pai de Pedro, se emocionou ao lembrar as conquistas pessoais do menino e as do Instituto Pedro Arthur, criado em 2006 por ele e pela mulher, Gabriela, com o objetivo de orientar a população sobre a meningite e de incluir as vacinas pneumocócica 10-valente e antimeningococo C no calendário nacional. “Estamos muito felizes, inclusive pelo fato de termos aberto precedente para outras crianças receberem esse marcapasso. Ver seu filho em uma cama e respirar por aparelhos durante sete anos não é fácil. As perspectivas são as melhores possíveis.

Prestes a ganhar um irmãozinho – que já ganhou o nome de Bernardo, escolhido por ele em homenagem ao médico Bernardo Vinícius Gontijo, que o acompanha em Belo Horizonte –, Pedro espera estar bem para voltar aos estudos do 3º ano do ensino fundamental.

Para isso, ele precisa de uma nova cadeira de rodas, específica para o seu caso, já que a anterior foi quebrada na viagem a São Paulo. Como a família tem gastos mensais em torno de R$ 6,5 mil e não tem condições de comprá-la, espera por apoio. Quem quiser ajudar, os contatos são institutopedroarthur@hotmail.com ou (11) 9612-4908.


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